25 ANOS DE CULTURA

No que diz respeito à política cultural, crescem as responsabilidades do Estado. Mas essas responsabilidades crescentes não devem ser confundidas com qualquer espécie de dirigismo. O Estado deve investir de maneira massiva na política cultural sem excluir a iniciativa privada, mas de forma a criar uma infraestrutura no qual possam manifestar as mais diversas tendências e formas de expressão

Luiz Paulo de Pilla Vares

25 ANOS DE CULTURA 

Nossa pesquisa busca proporcionar uma leitura sobre a história da Secretaria Municipal da Cultura em seus 25 anos, considerando ações e políticas públicas implementadas ao longo desse tempo na cidade, já a partir da Divisão de Cultura, órgão vinculado à Secretaria Municipal de Educação e Cultura – SMEC, e de onde se originou a SMC. Nossas homenagens a Joaquim Felizardo, figura chave para a criação da Secretaria ao conceber uma instituição de perfil enxuto e moderno atrelando a criação dos Fundos, Funcultura e FUMPHAC, o que garantiu agilidade na movimentação cultural da cidade e um processo de expansão a curto e médio prazos, tornando-os importantes recursos no fazer cultural na cidade e intensificando as ações culturais. Não poderíamos deixar de mencionar o intelectual Luiz Paulo de Pilla Vares, segundo Secretário da Cultura no município, que soube implantar uma política cultural com conceitos claros de atuação, privilegiando espaços democráticos de criação cultural coletiva. Quem viveu esse período não esquecerá as famosas reuniões de Coordenação na época do Pilla. Trabalhar com cultura significa conviver com a diversificação da arte e com todos os seus matizes. Por esses caminhos vem trilhando a Secretaria Municipal da Cultura ao longo de seus mais de 25 anos.

Rafael Guimaraens     

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CPH apresenta projeto no seminário Arquivos Públicos Municipais – preservação da memória, transparência e acesso à informação

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O Centro de Pesquisa Histórica – CPH da Coordenação da Memória – Secretaria Municipal de Cultura, participou no dia 07/10/2015 do Seminário Arquivos Públicos Municipais – preservação da memória, transparência e acesso à informação. O encontro foi organizado para divulgar o projeto do Arquivo Histórico Municipal chamado Guia de fundos das Câmaras Municipais do Rio Grande do Sul: período colonial e imperial – 1747 a 1889. A convite da diretora do Arquivo Rosani Feron, o Centro de Pesquisa apresentou o projeto Serviços Públicos de Porto Alegre: Guia de documentos período Brasil colônia e império/Acervo do Arquivo Histórico Moysés Vellinho. Ambos os trabalhos visam potencializar o valor de acervos de documentos sistematizados presentes em arquivos municipais. A publicação online do trabalho desenvolvido pelo Centro de Pesquisa está prevista para o final de novembro, sendo disponibilizada neste Blog.

Vilas da Grande Cruzeiro (Santa Tereza)

“As pessoas estão se conscientizando que fazem parte de uma história, que elas têm muito a contar, e que valeu toda a luta delas, que têm de ser orgulhosas, e que temos de dizer que pertencemos à Grande Cruzeiro.”

Marta Helena Rocha Maciel

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Vilas da Grande Cruzeiro (Santa Tereza)

Criado oficialmente a partir da lei 2022 de 7 de dezembro de 1959, possui os seguintes limites: Avenida Padre Cacique, da esquina da Rua Miguel Couto até a Avenida Taquari; por esta última até a Avenida Caí; Rua Orfanotrófio; por esta última até a Rua Sepé Tiaraju; por esta, na direção sul-norte até encontrar a Rua Catumbi, até encontrar sua esquina sul com a Rua Prof. Clemente Pinto; daí por linhas secas e retas que envolvem a Vila dos Comerciários, até a Travessa Nadir; por esta até a Rua Mariano de Matos; por esta até a esquina com a Rua José de Alencar no entroncamento com a Rua Corrêa Lima; por esta até a Rua Miguel Couto até encontrar a Avenida Padre Cacique. Situado em uma região montanhosa, por muito tempo foi ocupada por chácaras e mata virgem; a área era cortada apenas pela antiga Estrada do Laboratório, atual Rua Corrêa Lima, e pela Rua Silveiro. Algumas ruas estavam incluídas na planta municipal de 1896, mas o bairro começou a se desenvolver depois da década de 1950, quando as empresas de comunicação começaram a se instalar no bairro em função do relevo que facilitava as transmissões.
O bairro abriga uma parte da chamada “Grande Cruzeiro” – conglomerado de vilas populares que possui uma população de mais de 200.000 habitantes. Na Travessa Paraíso, 71, localiza-se o Solar Paraíso. O prédio que serviu de charqueada no século XIX foi tombado como Patrimônio Cultural em 1977. Foi reconhecido como sítio arqueológico em 1994 e restaurado em 2000. Outra instituição histórica do bairro é o Asilo da Mendicidade Padre Cacique, localizado na avenida de mesmo nome. Inaugurado em 1881, mantém suas atividades em prol do idoso carente em funcionamento até os dias de hoje.
Na rua Corrêa Lima, estão sediados o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de Porto Alegre – CPOR, o 3º Batalhão de Polícia do Exército – Batalhão Brigadeiro Jerônimo Coelho e a 3ª Inspetoria de Contabilidade e Finanças do Exército. Na mesma rua, mas no ponto mais alto do Morro Santa Tereza, está instalado o Belvedere Deputado Ruy Ramos, que proporciona uma vista de Lago Guaíba e do arquipélago de ilhas que fazem parte dele. Hoje o bairro se mantém essencialmente residencial, com um pequeno comércio local, junto a estações de rádio e televisão.

Referências bibliográficas:

FRANCO, Sérgio da Costa. Porto Alegre Guia Histórico. 2° edição. Porto Alegre: Editora da
Universidade – UFRGS, 1992. p. 370

Dados Censo do IBGE In: http://www.portoalegre.rs.gov.br

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CPH vai ao Instituto Federal/Porto Alegre: apresentação do projeto “Memória dos Bairros”

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Dia 23/03/2015 o Centro de Pesquisa Histórica – CPH da Coordenação da Memória – Secretaria Municipal da Cultura, esteve no Instituto Federal do Rio Grande do Sul – IFRS/Campus Centro, apresentando o projeto “Memória dos Bairros” para a turma 2 PROEJA – Técnico em Administração. A participação ocorreu no projeto interdisciplinar “Memória, cidadania e qualidade de vida nos bairros de Porto Alegre e região metropolitana”.
Agradecemos as professoras Helen Scorsatto Ortiz, Renata Dias Silveira e Aline Ferraz; e especialmente ao grupo de alunos que protagonizou uma excelente experiência de troca sobre os temas memória, história e cidade.

Teresópolis

“Acho que, em qualquer bairro, através das oficinas de memória, o objetivo maior é fazer as pessoas se darem conta de que é importante valorizar e refletir sobre a memória do lugar, o que faz, fatalmente, com que reflitam sobre suas próprias recordações. No momento em que estamos sendo entrevistados, falamos não só do bairro, como também da nossa própria vida. Acho que são muito importantes estas reuniões da memória pois, constituem-se, na verdade, uma preciosa fonte de informações.”

Diego de los Santos Flores

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Teresópolis

A área onde situa o bairro Teresópolis fazia parte da Sesmaria de Sebastião Francisco Chaves. No ano de 1876, Guilherme Ferreira de Abreu loteou um terreno de sua propriedade, na qual se assentaram algumas famílias de imigrantes italianos, e o nome de loteamento teria sido homenagem a seu irmão, Francisco Ferreira de Abreu, médico carioca que foi agraciado por D. Pedro II com o título de Barão de Teresópolis.
Por desfrutar de clima ameno devido à presença de mata nativa, havia na área algumas chácaras destinadas ao repouso e veraneio e outras à produção de hortifrutigranjeiros, com destaque para as parreiras e produção de vinhos, bem como a criação de animais de pequeno porte.
A partir de 1901, foram comercializados terrenos pela Companhia Territorial Rio-Grandense, empresa responsável pelo loteamento de áreas em toda a cidade, configurando o bairro.
A Praça Guia Lopes — localizada em uma área doada por Maria Luiza Fernandes, esposa de Antônio Manuel Fernandes, ex-presidente da Câmara Municipal – tornou-se o núcleo central de Teresópolis, e seu primeiro nome foi Praça Dona Maria Luiza.
A circulação de bondes no bairro, no início do século XIX, proporcionou o aumento da população do mesmo e, logo em seguida, foi construída a Capela Nossa Senhora da Saúde, em homenagem à protetora dos imigrantes italianos que ali residiam.
Em 1910, aconteceu na praça a primeira Festa da Uva do Rio Grande do Sul, organizada por moradores da Vila Nova e Teresópolis.
O bairro também foi responsável pela realização da segunda Festa da Árvore, existindo ainda hoje, na praça, um monumento em referência à preservação das mesmas.
Em 1916, a capela tornou-se paróquia e, logo após, sede de curato. A instituição foi responsável pela criação da Escola Paroquial, que mais tarde concretizou-se enquanto Colégio São Luiz.
Outra instituição a fazer parte do Bairro é a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil em 1923, construída sob influência da arquitetura gótica. Antes da sua construção,
a Igreja instalou-se, em 1916, na hoje extinta Escola Cruzeiro do Sul, na qual passaram célebres personalidades como Erico Verissimo e Josué Guimarães.
Posteriormente outras importantes instituições vieram a se instalar em Teresópolis, como o Hospital Espírita de Porto Alegre (1914), o Círculo da Luz (1954), que é uma organização baseada na doutrina espírita de Allan Kardec, o Departamento de Tênis do Clube Leopoldina Juvenil (1938), que posteriormente concretizou-se no Teresópolis Tênis Clube (1944), o Instituto Feminino de Correção (1950), inicialmente organizado pelas irmãs da ordem religiosa do Bom Pastor, e que passou a denominar-se Penitenciária Feminina “Madre Pelletier” (1970), o Patronato Lima Drummond (1946), uma Fundação destinada à recuperação de presidiários, a Casa Bom Pastor (1936), atualmente um pensionato feminino, e a Sociedade Beneficente Nossa Senhora da Saúde de Teresópolis (1958), que desenvolve um trabalho na área da Assistência Social. Hoje, o bucólico bairro de Teresópolis convive com intervenções da urbanização da Cidade como a construção da III Perimetral, que trouxe transformações de porte para área.

Referências bibliográficas:

FRANCO, Sérgio da Costa. Porto Alegre: Guia histórico. Porto Alegre: Ed. Da
Universidade/UFRGS, 1992.

RIELLA, Carlos, Et al. Teresópolis. Porto Alegre: Unidade Editorial da Secretaria
Municipal da Cultura, 2004.

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Cristal

“No bairro nós perdemos aquele relacionamento diário, seguido de convívio com a comunidade (…), hoje nós vivemos como nas grandes cidades: o isolamento (…) Nessas condições, me parece que o nosso bairro, em 1970, era um bairro de lutar (…) Pouco a pouco (…) nós perdemos aquela identidade de todos nós. A gente vibrava, fazia festa (…) hoje não existe mais. Hoje nós vivemos enjaulados. (…) Eu acho que o meu bairro perdeu (…) com o desenvolvimento. Sinto saudade daquele bairro calmo, daquele bairro mais tranquilo, mais humano …”

Dorival Alves da Silva

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Cristal

Há duas versões para o bairro ter o nome de Cristal: a primeira conta que o General Bento Gonçalves da Silva e sua tropa, anos antes da Revolução Farroupilha, teria repousado sob a sombra de uma figueira na região – esta, conservada até hoje pelos moradores do bairro. Como Bento possuía uma estância denominada Cristal, pode ter sido este o motivo do nome do bairro. A segunda versão trata do fato de que, no espaço onde se consagrou o bairro, havia uma rica concentração de quartzos, que brilhavam no solo.
Apesar de a área fazer parte, primeiramente, da Sesmaria do Tenente Sebastião Francisco Chaves e ter como denominação Estância São José, uma ocupação mais efetiva do arraial, posteriormente bairro, iniciou somente no século XIX, com a chegada de famílias italianas que cultivavam pomares e hortas. Há registros, também, que apontam para a existência, nesta mesma época, de charqueadas na região.
No decorrer do século XIX, o Cristal passou a abrigar importantes instituições, como a Hospedaria para Imigrantes, em 1881, que cedeu lugar, dezoito anos depois, ao alojamento do 3o Batalhão de Infantaria da Brigada Militar, onde, posteriormente, foi construída a Enfermaria da Brigada.
Nesse mesmo período, há um fato que tornou a área pouco atraente para novos moradores: tratava-se de local escolhido pelo Poder Público para o despejo dos chamados cubos, depósitos usados para carregar dejetos humanos da área central para a Ponta do Melo, também conhecida como Ponta do Asseio.
Durante a primeira metade do século XX, o Cristal insere-se no caráter de urbanização e modernização concebido pela Capital, visto ter sido escolhido para abrigar o Hipódromo, o que se traduzia em urbanização, modernidade e status. Outras instituições posteriormente se instalaram no bairro, como o Estaleiro Só e a fábrica de garrafas térmicas Termolar. Em função desse amplo estágio de urbanização, avenidas foram asfaltadas, ruas foram abertas e novas edificações construídas. O registro oficial do bairro se dá através da Lei Municipal n º 2022 de 1959. Como pontos turísticos tem-se, além do Jockey Club, o Clube Veleiros do Sul, o Iate Clube Guaíba e o Museu Iberê Camargo.

Referências bibliográficas:

FRANCO, Sérgio da Costa. Porto Alegre: guia histórico. Porto Alegre: Ed. Da Universidade/UFRGS, 1992.

RIOS, Renata Lerina Ferreira. Cristal. Porto Alegre: Unidade Editorial da Secretaria Municipal da Cultura, 1994.

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Passo das Pedras

“Teve uma melhora repentina assim sabe. Ela tava em coma aí tomou uma injeção e surpreendeu total. Em setenta e seis com um plano da prefeitura fizeram todo o calçamento, toda a urbanização e nos entregaram as ruas totalmente novas. Um dia eles fizeram o calçamento de vinte e cinco ruas. Ali onde é o Passo das Pedras II era campo total não tinha uma casa. Aquela lomba ali era sem calçamento, sem esgoto. Era horrível, agora tá totalmente bonitinha.”

Olaiza Maria de Medeiros

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Passo das Pedras

O Passo das Pedras integra uma das áreas do território da cidade sem delimitação oficial, mas a região é conhecida e distinguida por seus moradores como bairro. Em estudo realizado em 2002, para a elaboração de mais uma edição da série “Memória dos Bairros Passo das Pedras”, foi elaborada a delimitação da área tendo por base a realidade geográfica que circunda as margens do Arroio Passo das Pedras e áreas que mostram semelhanças englobando: Vila Passo das Pedras (antiga Chácara Butiá) e de acordo com o novo Plano Diretor de Porto Alegre englobaria Jardim Ingá e Passo das Pedras II. A denominação da região deve-se a fatores naturais. “Diz-se que o Arroio que nasce no Morro Santana e deságua no Rio Gravataí, cortando a antiga estrada do Passo do Feijó (atual Baltazar de Oliveira Garcia), recebeu o nome de Passo das Pedras devido a existência de Pedras que serviam de ponto de referência para aqueles que usavam o caminho como alternativa entre o norte de Porto Alegre e o oeste de Viamão – região outrora chamada de Passo do Feijó, onde hoje se localiza o município de Alvorada.”
A partir da década de 1950, o povoamento do bairro tornou-se mais significativo, ocorrendo basicamente em dois loteamentos: o Ingá, pela iniciativa privada e o Passo das Pedras, por meio da iniciativa pública. Em 1960, inicia-se no Passo das Pedras a organização comunitária, através da Associação de Moradores, com objetivo de conquistar melhores condições de infra-estrutura na região.
Como opções de lazer no Passo das Pedras destacam-se os jogos e torneios de futebol; a Social Ouro Verde, fundada em 1964, é uma das sedes que mantém atividades até os dias atuais. Já no Jardim Ingá as opções de lazer concentram-se no Centro Esportivo da Vila Ingá – CEVI, fundado na década de 1970; em 2000 a denominação do CEVI foi alterada para Centro Regional de Assistência Social das Regiões do Eixo da Baltazar e Nordeste, popularmente conhecido como Centro Humanístico Vida. O Centro dispõe de grande estrutura, oferecendo a população os mais variados serviços, como atendimento médico, bancário, assistência social, defensoria pública, diversos cursos profissionalizantes, etc. As ocupações irregulares no Passo das Pedras se agravaram a partir dos anos 80 – atualmente o bairro concentra mais de dez vilas, algumas ainda em processo de regularização.
O Passo das Pedras é um bairro essencialmente residencial, possuindo pequeno comércio de gêneros alimentícios, e serviços localizados principalmente na Avenida Baltazar de Oliveira Garcia no trecho pertencente ao bairro. Quanto a oficialização da região como bairro tramita na Câmara de Vereadores a lei de nomeação e delimitação.

Referências bibliográficas:

FUNCK, Angelo Eduardo Bitencourt, ett ali. Passo das Pedras. Porto Alegre, Unidade

Editorial da Secretaria Municipal da Cultura EU/SMC, 2002 (Memória dos Bairros).

Criação dos Bairros (breve histórico) In: http://www.portoalegre.rs.gov.br/spm

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Petrópolis

“… Ali, as famílias que viviam eram todas irmanadas, tanto que uma vez, eu faço aniversário em primeiro de julho, e eu fiz uma festa e o pessoal se entusiasmou e saiu para a rua, tipo escola de samba, e uma caminhonete da Zero Hora passou na hora e estampou no outro dia: ‘Carnaval de inverno em plena Avenida Ijuí’ …”

Paulo Lara de Oliveira – comerciante

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Petrópolis

A origem do Petrópolis remonta às primeiras décadas do século XX. Até esta data, o bairro tinha características rurais, com uma economia baseada na plantação de agrião, criação de gado, além de alguns tambos de leite. Localizado em região de bela topografia, tornou-se famoso pelo clima ameno e sua abundante arborização.
Até a década de 1930, a região era ponto de veraneio de algumas famílias de Porto Alegre, e ainda nesta década, realizavam-se no local manobras e exercícios militares.
Trata-se de um bairro bastante heterogêneo, que abriga pessoas de diferentes etnias, religiões e padrões sócio-econômicos. Os primeiros moradores tanto eram oriundos do interior do Estado, como famílias que residiam no centro da capital que, a partir da década de 1940, procuraram áreas mais afastadas para moradia. O crescimento de Petrópolis está ligado ao desenvolvimento do seu principal eixo viário, o antigo Caminho do Meio – atual Avenida Protásio Alves – que, no presente, é uma das principais vias da Capital, com mais de 12 km.
Ainda nas primeiras décadas do século, são instaladas duas linhas de bondes: João Abbott e Petrópolis, o que motivou a criação de loteamentos na região; o primeiro deles, nos anos 20, foi realizado pela empresa Schilling Kuss e Cia. Porém, até 1950 à distância do Centro não valorizava economicamente o bairro; a partir de investimentos em infra-estrutura, ainda no final dessa década, não só há uma elevação do padrão sócio-econômico, como também modifica-se seu perfil, com a ampliação do comércio e de serviços. A expansão imobiliária também altera características da região, e são construídos edifícios residenciais e comerciais, aumentando a população no bairro. A valorização imobiliária acaba por mudar Petrópolis, a partir da abertura da avenida Nilo Peçanha, na década de 1970, afastando os moradores mais humildes da região, que migram para os bairros como Vila Jardim, Bom Jesus e arredores.
Estão localizados no bairro alguns dos clubes mais conhecidos de Porto Alegre, como Grêmio Náutico União, que serve de lazer aos moradores da região e arredores e o tradicional Petrópolis Tênis Clube.
Atualmente Petrópolis é independente do centro da cidade, conta com um comércio ativo e variado, que se estende ao longo da Avenida Protásio Alves.

Referências bibliográficas:

ÁVILA, Luciano. Histórico – Petrópolis. http://www.nosbairros.com.br/petropolis.htm

QUEVEDO, Maria Augusta; RIOS, Renata Lerina Ferreira. Petrópolis. Porto
Alegre:

Unidade Editorial da Secretaria Municipal da Cultura, 2002 (Memória dos bairros, 13).
http://www.portoalegre.rs.gov.br

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Belém Novo

“É uma cidade do interior. Tem ainda nítidas características preservadas, ainda bem. É um lugarejo pequeno, pacato. Belém Novo tem vocação turística voltada para o rio. Lamentavelmente, a população de Porto Alegre não descobriu o seu rio, o que ele representa, a beleza natural, o potencial que tem tudo isso. É um lugar espetacular do ponto de vista paisagístico. Se espera que isso retorne a ser o que foi.”

Paulo Pacheco – médico veterinário

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Belém Novo

Belém Novo é uma variação do nome do arraial cuja primeira sede foi o bairro Belém Velho. Em 1867, um grupo de moradores solicitou a mudança da freguesia, que passou para uma área às margens do Guaíba. Desta maneira, em 1873, a Presidência da Província, a partir de um projeto de cunho urbanístico realizado por engenheiros, autorizou a mudança da Freguesia. Em 1876 tem início a construção da Igreja local, finalizada 8 anos depois e denominada Nossa Senhora do Belém Novo. No decorrer da construção, em 1880, o presidente da Província, Dr. Carlos Thompson Flores efetiva a transferência da Freguesia, denominando-a “Arado Velho”. Porém, enquanto o entorno do centro de Porto Alegre passava por um processo de modernização e urbanização, Belém Novo, em conseqüência de seu difícil acesso, manteve um perfil agrário, principalmente pelo grande número de chácaras mantidas por pequenos agricultores e famílias abonadas, que possuíam casas de veraneio junto à tranqüilidade bucólica que o local apresentava. Somente em 1933 Belém Novo passou a ser um local de fácil acesso, em função da conclusão de uma rodovia que o ligava ao centro da Capital. Apesar de seu histórico, Belém somente veio a integrar-se oficialmente enquanto bairro no ano de 1991, através da Lei 6993. No entanto, cabe ser destacada a importante função desempenhada pela localização de Belém às margens do Guaíba, garantindo para a região o desenvolvimento da pecuária e agricultura, bem como o estabelecimento de sede campestre para inúmeras instituições. Atualmente, a balneabilidade de Belém Novo está passando por um projeto urbanístico e paisagístico, através do Programa Guaíba Vive, o qual prevê ajardinamento de praças, colocação de parque infantil, instalação de vestiários, ciclovias, espaços de contemplação da paisagem, construção de uma passarela de 700 metros de extensão, rampa para saída e chegada de embarcações e um calçadão para feiras e eventos. Além das sedes campestres de algumas instituições, como a da AJURIS, Grêmio Náutico Gaúcho e da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, estão situados no bairro o Clube Náutico Belém Novo e da Confederação Brasileira de Golfe, assim como o Aeroclube do Rio Grande do Sul, que abriga a Escola de Aviação Civil.

Referências bibliográficas:

FRANCO, Sérgio da Costa. Porto Alegre: guia histórico. Porto Alegre: Ed. Da Universidade/UFRGS, 1992.

PAZ, Celso Toscano, Et Ali… Belém Velho. Porto Alegre: Unidade Editorial da Secretaria Municipal da Cultura, 1994.

Dados do Censo/IBGE 2000 In: http://www.portoalegre.rs.gov.br

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Lomba do Pinheiro

“O meu coração me conduziria a participar mais intensamente do Orçamento Participativo, mas eu disponho de muito pouco tempo né, então eu participo mais daquelas reuniões que envolvem toda a Lomba. A Lomba tem uma boa representação devido às diversas associações que tem. A gente vê que as pessoas vão ali e participam, porque tudo ali lhe toca as necessidades, é bem o cotidiano deles: asfalto, esgoto, as escolas. Então as pessoas se manifestam e, principalmente na questão da educação, do transporte, que é outro muito discutido. Ele não atende assim, diretamente as vilas, então tem lugares que as pessoas ainda têm que caminhar muito até as paradas. No Orçamento, aparecem todas essas necessidades mais constantes.”

Irmã Zanete Lewinski

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Lomba do Pinheiro

Localizada na região leste de Porto Alegre, fazendo divisa com Viamão, a Lomba do Pinheiro apresenta espaços com núcleos densamente povoados alternados com áreas verdes, de preservação ecológica. Inicialmente, a região estava dividida em grandes lotes pertencentes a famílias de origem portuguesa que cultivavam a terra e criavam animais. Um deles, morador dos mais antigos da região, o comerciante João de Oliveira Remião, é nome da principal rua do bairro.
Até meados dos anos quarenta, a Lomba do Pinheiro manteve características rurais, e seus moradores comercializavam seus produtos hortifrutigranjeiros no Centro de Porto Alegre. Também existiam na região os tambos de leite que abasteciam o bairro e as regiões mais próximas.
Os moradores da Lomba do Pinheiro eram na sua maioria procedentes do interior do estado. A partir da década de 1960 e 1970, migraram para o bairro pessoas oriundas de outros bairros da cidade.
A região entrou no processo de urbanização, quando ruas foram asfaltadas, a rede escolar foi ampliada e novos projetos de infra-estrutura foram executados. Em 1962, o projeto de lei do vereador Landel de Moura, deu nome ao bairro Lomba do Pinheiro. Oficialmente o bairro foi criado pela lei 2002 de 07/12/1959, porém seus limites foram alterados pela lei 7954 de 08/01/1997 que anexou ao município de Porto Alegre vilas que pertenciam a Viamão (São Pedro, Santa Helena, Panorama, Santa Filomena e Bom Sucesso). Atualmente a Lomba do Pinheiro é formada por mais de trinta vilas.
Uma das características da Lomba do Pinheiro é a organização comunitária e a busca de seus moradores por melhores condições de vida no bairro. A necessidade de regularização de terrenos e a busca por melhor infra-estrutura foram as principais causas para a organização de associações de moradores. A primeira delas, fundada em 1956 na Vila São Francisco, conforme alguns moradores, foi a precursora da categoria no Rio Grande do Sul. O bairro destaca-se por sua diversidade cultural, sendo que as associações comunitárias constituem um espaço político de construção da cidadania, com projetos e atividades que buscam a inclusão social de seus moradores, sobretudo crianças e adolescentes.

Referências bibliográficas:

FREIRE, Eduardo Duarte, et all. Lomba do Pinheiro. Porto Alegre: Unidade Editorial da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre, 2000 (Memória dos Bairros).

http://www.portoalegre.rs.gov.br

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O Centro de Pesquisa Histórica desenvolve projetos de pesquisa relacionados com a memória de Porto Alegre e tem como objetivo dar maior visibilidade à história social da cidade.

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